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O Amor não é para fracos

Contrariamente a todas as expectativas e a tudo o que faria sentido, tornei-me mais romântica após o final da minha relação de 15 anos e consequente divórcio. Hoje faz um ano que decidi confiar. 

Hoje, dia 16 de fevereiro, faz exactamente um ano que conheci o meu namorado. Não vou detalhar grande coisa aqui, não creio que seja a melhor plataforma para isso e há coisas que vou querer que permaneçam só para nós. Por outro lado, não posso deixar de fazer uma reflexão sobre o amor verdadeiro, sobre recomeços, novas oportunidades e a necessidade de não nos fecharmos após uma má experiência.

Leiria, 16 de Fevereiro de 2020
O nosso primeiro encontro, onde tudo começou.

Sei que muitos vêem fraqueza nas pessoas que parecem ter sempre um parceiro. Há quem ostente a sua escolha por uma vida a solo com orgulho, mas fazê-lo com uma nova relação nem sempre é tão bem visto. Mas esquecem-se de algo relevante para este debate: quem escolhe viver acompanhado escolhe também viver em perigo constante.

Nunca tinha pensado nisso desta forma até me apaixonar verdadeiramente numa altura em que apaixonar-me parecia altamente improvável, quiçá até desaconselhado. Nunca esperei apaixonar-me tão pouco tempo depois do final da minha relação anterior. Esse final, a forma como as coisas terminaram e como fui tratada depois disso fizeram-me muitas vezes apregoar que nunca mais me apaixonaria por ninguém (nem ninguém por mim) e que queria ficar sozinha. Felizmente, num intervalo dessa pseudo-decisão absurda, tive um momento de coragem (ou estupidez?) inesperado e arrisquei. Do nada, apareceu-me aquele que acredito ser o meu grande amor. Ainda não acredito que me sinto assim nesta altura da vida e depois de tudo o que passei e vivi. 

Sinto-me a protagonista de um romance moderno que poderia ter sido escrito por uma mistura saudável de Jane Austen e E.L. James (não que goste de 50 Shades, mas pareceu-me uma referência moderna e mais risqué, por favor não levem isto à letra. É só uma piada parva à la Cat). 

Aquilo que dizem da vida acontecer quando não estamos a fazer planos é totalmente verdade. Sem planear ou esperar nada disto, não só me apaixonei, como – em menos de um ano – escolhemos viver juntos. Escolhemo-nos e depois escolhemos viver não só na mesma casa, mas partilhar todos os momentos. Já bastam todos aqueles que vivi sem ele na minha vida.

Por um sentimento tão forte e a honra de sentir, dar e receber um amor tão bonito aceito, por isso, viver todos os dias neste perigo constante de ter novamente o coração partido em bocadinhos quando menos esperar. Pode nunca acontecer e espero ardentemente que não, mas sei e aceito que o perigo existe. O amor e o perigo vivem juntos, lado a lado, porque a vida é mesmo assim, imprevisível e, por vezes, cruel. Quem ama, sujeita-se a esse perigo constante, todos os dias. E nós sabemos, mas aceitamos porque a recompensa é muito maior do que um cenário desastroso que pode até nunca acontecer.⁣⁣⁣⁣⁣

Não é por sabermos que um meteorito poderá voltar a cair na Terra e acabar com tudo que deixamos de viver intensamente os nossos dias, pois não? E, no entanto, é uma possibilidade.⁣⁣⁣⁣⁣

Partilharmos os nossos momentos com alguém é também um acto de coragem; confiar não é fácil porque nunca sabemos o desfecho de nada e nunca conseguimos verdadeiramente antecipar acções e reacções de quem nos acompanha. E, ainda assim e mais uma vez, não é essa a beleza da vida? ⁣⁣⁣⁣⁣

Amar por si só compensa o perigo, mas se a isso juntarmos a permanente sensação de que todos os dias são uma sexta-feira à noite, vale ainda mais a pena.⁣⁣⁣⁣⁣ É isso que sinto com ele: que todos os dias são uma sexta-feira à noite com todo um fim de semana pela frente. Todos os dias, mesmo à semana, depois do trabalho, sinto-me um bocadinho de férias.

Sei que tenho a pessoa certa ao meu lado quando não me sinto julgada pela minha ambição, pelos milhares de projectos que idealizo e pela sensação de liberdade que sinto; pela leveza de saber que a minha vida não é uma linha recta, que ainda tenho muitas surpresas, viagens e imprevistos deliciosos por viver. E por falar em viver, nem isso tem que ser escrito nas estrelas. Pela primeira vez na minha vida sinto que posso viver a minha vida em qualquer lugar porque casa já não é – necessariamente – um lugar físico.

“It takes strength to know what’s right. And love isn’t something that weak people do. Being a romantic takes a hell of a lot of hope. I think what they mean is when you find somebody that you love, it feels like hope.”

Priest, Fleabag
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Casa é amor e o amor é a casa onde moram os nossos sentimentos mais puros e verdadeiros.

As fotos de casal que encontram neste post (sem ser as tiradas com o telemóvel no nosso primeiro encontro) foram tiradas pela maravilhosa Nia Carvalho. Aconselho muito a Nia para fotografar a vossa sessão de namoro, noivado ou mesmo o vosso casamento! Vejam o portfolio aqui e o Instagram aqui.

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11 Comments

  • Reply
    Leonor Canelas
    16/02/2021 at 5:27 PM

    Por falar em amor corajoso. Acabei por ser uma das pessoas que te disse que era capaz de ser cedo demais. Arrependo-me. Realmente não há uma receita para o amor, tampouco uma hora exacta com minutos certos. O único ingrediente é arriscar, está claro.

    És uma inspiração, amiga. Tu sabes. Na escrita e no risco.

  • Reply
    Inês Mota
    16/02/2021 at 6:22 PM

    Adoro ler sobre o amor, especialmente quando são relatos autênticos, sinceros e onde se nota que cada palavra vem de dentro, de um fundo muito precioso e privilegiado. Mereces ser feliz, Catarina! Felicidades 🙂

  • Reply
    Soraia
    16/02/2021 at 7:59 PM

    Caramba.
    Li. Reli. E ainda uma 3a vez.
    Podia ter sido eu a escrever isto, de tanta semelhança em tudo. Na bagagem de uma nova relação levo ainda 2 filhos.
    O amor não é para fracos…

  • Reply
    R.
    17/02/2021 at 3:13 AM

    Catarina, olá. Ás vezes venho dar ao teu blog e costumo sentir alguma proximidade (talvez por também ser INFP-T, hehe). Mas hoje senti que devia comentar, é que ainda há pouco estava a pensar exactamente isso, que o amor não é para fracos, e fiquei de boca aberta quando li o título do teu post. Saí há alguns anos de uma relação longa, que pensava que seria para sempre, exactamente com a sensasção de que nunca mais na vida queria apaixonar-me e estar tão emocionalmente dependente de outra pessoa. Demorei algum tempo a reconstruir-me e quando me julgava uma fortaleza inabalável, permiti-me baixar a guarda e tive duas experiências que deitaram tudo por terra e voltei a perceber-me frágil e magoada. A mais recente tem sido especialmente dificil de lidar. Demorei tanto a construir aquela que achava ser a minha melhor versão e isso, de alguma forma, não foi suficiente para a outra parte. Percebi que talvez queira sim, um relacionamento, um que seja bastante diferente destes que experienciei e que essa conversa de querer estar sozinha, que disse muitas vezes, seja mais um mecanismo de defesa. Ontem li essa frase de Fleabag (melhor série) e ficou-me na cabeça esse pensamento: que é admirável, depois de todo o sofrimento, voltarmos a expôr-nos, sujeitando-nos a sofrer tudo outra vez. E senti-me forte, no sentido de corajosa, por ter voltar a pôr-me nesse lugar de vulnerabilidade, independentemente do resultado. E fiquei feliz por, apesar de tudo, não ter endurecido e ainda acreditar em ligações genuínas. Emocionei-me um bocadinho com o teu post, sinto aqui uma energia muito bonita e verdadeira. Que bom ver pessoas felizes, obrigada pela partilha tão pessoal.*

  • Reply
    Joana Sousa
    17/02/2021 at 12:15 PM

    Posso dizer que não imaginava que aqueles teus planos louquitxos fossem dar uma história tão bonita – e aqui enterro os meus “tem cuidado” ahah! A coragem compensa mesmo, e é mesmo bom saber-te assim feliz. Fico mesmo muito feliz por vocês, Cat!

  • Reply
    Manuel Nogueira
    17/02/2021 at 6:43 PM

    Sinto-me uma personagem principal numa comédia romântica. Talvez com uma pitada de musical em que de repente todos começamos a dançar numa coreografia sempre estranha dada a situação em que a maioria das personagens se encontram, mas um tanto ou quanto fofo.
    Sendo que de protagonista pouco tenho, o palco é todo teu. O meu orgulho é incomensurável pelo que tu és. E a mera hipótese de poder fazer parte desta, longa metragem faz-me sentir bem e com esperança.
    Amo-te e compreendo que por vezes não sou fácil de aturar, todos trazemos bagagem e todos superámos os nossos problemas de maneiras diferentes. Não obstante temos todos que ser um pouco malucos e arriscar, arriscar porque este sentimento é real, é quase que palpável. Um ano depois cá estamos, és tudo o que sempre quis. Espero continuar a ser tudo o que sempre quiseste e no fundo no fundo, o meu objectivo é que te rias sempre e sejas muito feliz comigo. E com os nossos 4 gatos lindos fofos e trabalhosos ‘pra xuxu’.

  • Reply
    Andreia moita
    17/02/2021 at 7:12 PM

    Já sabia que escreves maravilhosamente e sentes a vida de forma intensa. Já sabia que amavas sem medida e que estavas feliz. Mas estas palavras estão para lá de bonitas, estão carregadas de verdade. Parabéns por este texto, pela coragem de amar e por partilhares connosco!

  • Reply
    Carolayne Ramos
    02/04/2021 at 1:30 PM

    Que texto tão bonito, Catarina. E munido de energias de esperança. Desejo-vos as maiores felicidades, aventuras, momentos doces e que, mesmo nos mais difíceis, saibam onde buscar as forças para ultrapassar.
    Esta tua partilha deixou-me mais alegre. Muito obrigada por ela! 🙂

    Beijinhos,
    Lyne

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    A história de quando morei sozinha pós-divórcio (durante 3 meses) - Joan of July
    29/04/2022 at 10:03 AM

    […] que, já que me tinha apaixonado tão rapidamente sem me ter dado tempo “suficiente” (o que quer que isso seja) para estar verdadeiramente […]

  • Reply
    O meu pedido de casamento apareceu num jornal italiano (aka "Estou noiva... e agora?") - Joan of July
    25/06/2022 at 6:28 PM

    […] algo mudou quando o conheci; houve um click, algo inexplicável e muito, muito forte. Se percebesse dessas coisas, ia jurar que […]

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    O nosso casamento - Joan of July
    18/10/2023 at 1:51 AM

    […] eu e o padre de Fleabag gostamos de apregoar, o amor não é para fracos. É um sentimento que exige resiliência, paciência e, acima de tudo, coragem. E neste Setembro, […]

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