Páginas Salteadas | recipes

Páginas Salteadas: O Diário de Anne Frank e um bolo judaico

05/03/2019

O livro do Páginas Salteadas deste mês desafiou-me bastante. Sendo representante de uma temática muito delicada e dolorosamente real, esforcei-me por escolher uma receita que honrasse a memória de Anne Frank. Neste post explico-vos o que escolhi fazer para representar O Diário de Anne Frank.

Bem, ao contrário dos outros livros que escolhemos para o Páginas Salteadas, O Diário de Anne Frank dispensa apresentações, mas ao mesmo tempo fazê-lo seria menosprezar a sua importância.

Anne Frank: o anexo

Quando Anne tinha 10 anos, a 1 de Setembro de 1939, a Alemanha nazi invade a Polónia e começa então a Segunda Guerra Mundial.

Hitler proíbe os judeus de frequentarem parques, cinemas, lojas não judaicas, entre outros locais. O pai de Anne perde o seu negócio, uma vez que os judeus são também proibidos de terem empresas próprias.

“Os nazis vão cada vez mais longe. Os judeus tiveram de começar a usar uma estrela de David e surgiram rumores de que todos os judeus teriam de deixar a Holanda. Quando Margot recebeu um telefonema a 5 de julho de 1942 para se inscrever para trabalhar na Alemanha nazi, os pais ficam desconfiados. Eles não acreditam que se trate de trabalho e decidem esconder-se no dia seguinte para escapar da perseguição.

Na primavera de 1942, o pai de Anne tinha começado a instalar um esconderijo no anexo secreto da sua empresa, ajudado por antigos colegas. Passado pouco tempo, mais quatro pessoas juntam-se a eles no Anexo Secreto. O espaço é muito apertado; Anne tinha de permanecer muito silenciosa e estava frequentemente com medo.”

O início dos diários

Aos 13 anos, Anne começa a escrever no seu diário, um presente que recebeu no aniversário.

Durante os dois anos em que permanece escondida, Anne escreve sobre o que se vai passando no Anexo Secreto, mas também sobre o que sente e pensa. Além disso, escreve histórias curtas, começa um romance e anota passagens de livros que lia no seu “Livro de Belas Frases”. Escrever ajudou-a a aguentar os dias.

O anexo é descoberto

Infelizmente, a 4 de Agosto de 1944, o anexo é descoberto e Anne é deportada para Auschwitz. Apesar da busca, uma parte dos escritos de Anne são preservados: dois outros amigos salvam os documentos antes que o Anexo Secreto seja esvaziado por ordem dos nazis.
Ainda no mesmo ano Anne Frank é levada para o campo de concentração de Bergen-Belsen e aí morre, após a irmã, das consequências da febre tifoide.

Fonte: AnneFrank.org

A receita: Bolo de Maçã Judaico

Na preparação para a receita que teria que fazer para este livro lembrei-me de pesquisar e conhecer receitas tradicionais judaicas. O que descobri foram receitas… no mínimo complexas. Confesso que me senti intimidada e a pensar que, se calhar, nem tenho o nível de skill que é preciso para fazer aquelas receitas.

E então procurei por bolos tradicionais que fizessem sucesso cá em casa e encontrei esta delícia! Digo delícia já a spoilar o resultado final porque ele é, de facto, maravilhoso.

Receita de bolo de maça judaico

Ingredientes:

  • 6 maçãs (qualquer variedade, descascadas, sem caroço e picadas)
  • 1 colher de sopa de canela em pó
  • 2 3/4 chávenas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal (a receita especifica kosher, mas eu não tinha, foi mesmo sal normal)
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 chávena de óleo vegetal
  • 1 chávena de açúcar granulado (optei por não usar)
  • 1 chávena de açúcar mascavado
  • 4 ovos grandes
  • 1/4 chávena de sumo de laranja
  • 1 colher de chá de extracto de baunilha
  • açúcar em pó (para polvilhar)

Receita encontrada e adaptada desta do Yummly.

Resultado? “O melhor bolo que já fizeste”, foi o que ouvi.

Mas para além de ser um bolo delicioso e tradicional, é também algo de que gosto de imaginar Anne a desfrutar com a família à volta da mesa num dos seus melhores dias antes do Anexo e antes mesmo da guerra. Quem sabe, até mesmo no Anexo, num dos poucos – mas preciosos – momentos de alegria.

O meu exemplar de O Diário de Anne Frank

Pela primeira vez no Páginas Salteadas, sinto que interessante falar-vos do meu exemplar.

Ele pertencia à minha tia-avó. Não consigo ver de quando é esta edição, mas é muito antiga. Já tem muitas marcas de uso, nem todas minhas e, há umas semanas, a minha gata vomitou-lhe em cima… Não se nota, mas foi…

Mas é assim que gosto dele, é por todas estas “cicatrizes” que tanto o estimo e o amo. Vou guardá-lo para sempre.

Espero que tenham gostado desta receita, da explicação e da minha pequenina homenagem à memória de Anne Frank.

Nas próximas semanas já vamos poder espreitar as receitas da Andreia, da Joana e da Vânia! Acompanham-me? 🙂

Joana Clara, Às Cavalitas do Vento
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog

Only registered users can comment.

  1. Já estive a ver o post.. nunca li o diário mas é daqueles que quero ler este ano. O post ajudou a ter um sneak peek do que poderá ser. Fiquei curiosa.

    Quanto a essa receita parece ser deliciosa e trazer conforto. Vou ter de a experimentar 🙈😘

    Beijinhos
    Maggy

  2. Quando penso na receita que quero fazer para homenagear Anne Frank penso em conforto. Porque…sei lá…talvez seja aquilo que lhe dariamos se pudessemos, não é? É o que a tua receita me faz sentir. Mais uma vez, o Páginas Salteadas a começar da melhor maneira!

  3. Adorei esse livro… Dentro do quanto se pode adorar uma história tão triste, um período tão triste da história da Humanidade. Por momentos enquanto lia esse livro senti-me parte integrante do Anexo e esperei mesmo que a escrita pudesse aliviar a Anne dessa angústia constante que viver escondida lhe trouxe.
    Quanto ao bolinho, se foi “o melhor que já fizeste” então não há qualquer duvida que honrou devidamente estas vidas 🙂
    Um beijinho Catarina

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *