Páginas Salteadas: O Diário de Anne Frank e um bolo judaico

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O livro do Páginas Salteadas deste mês desafiou-me bastante. Sendo representante de uma temática muito delicada e dolorosamente real, esforcei-me por escolher uma receita que honrasse a memória de Anne Frank. Neste post explico-vos o que escolhi fazer para representar O Diário de Anne Frank.

Bem, ao contrário dos outros livros que escolhemos para o Páginas Salteadas, O Diário de Anne Frank dispensa apresentações, mas ao mesmo tempo fazê-lo seria menosprezar a sua importância.

Anne Frank: o anexo

Quando Anne tinha 10 anos, a 1 de Setembro de 1939, a Alemanha nazi invade a Polónia e começa então a Segunda Guerra Mundial.

Hitler proíbe os judeus de frequentarem parques, cinemas, lojas não judaicas, entre outros locais. O pai de Anne perde o seu negócio, uma vez que os judeus são também proibidos de terem empresas próprias.

“Os nazis vão cada vez mais longe. Os judeus tiveram de começar a usar uma estrela de David e surgiram rumores de que todos os judeus teriam de deixar a Holanda. Quando Margot recebeu um telefonema a 5 de julho de 1942 para se inscrever para trabalhar na Alemanha nazi, os pais ficam desconfiados. Eles não acreditam que se trate de trabalho e decidem esconder-se no dia seguinte para escapar da perseguição.

Na primavera de 1942, o pai de Anne tinha começado a instalar um esconderijo no anexo secreto da sua empresa, ajudado por antigos colegas. Passado pouco tempo, mais quatro pessoas juntam-se a eles no Anexo Secreto. O espaço é muito apertado; Anne tinha de permanecer muito silenciosa e estava frequentemente com medo.”

O início dos diários

Aos 13 anos, Anne começa a escrever no seu diário, um presente que recebeu no aniversário.

Durante os dois anos em que permanece escondida, Anne escreve sobre o que se vai passando no Anexo Secreto, mas também sobre o que sente e pensa. Além disso, escreve histórias curtas, começa um romance e anota passagens de livros que lia no seu “Livro de Belas Frases”. Escrever ajudou-a a aguentar os dias.

O anexo é descoberto

Infelizmente, a 4 de Agosto de 1944, o anexo é descoberto e Anne é deportada para Auschwitz. Apesar da busca, uma parte dos escritos de Anne são preservados: dois outros amigos salvam os documentos antes que o Anexo Secreto seja esvaziado por ordem dos nazis.
Ainda no mesmo ano Anne Frank é levada para o campo de concentração de Bergen-Belsen e aí morre, após a irmã, das consequências da febre tifoide.

Fonte: AnneFrank.org

A receita: Bolo de Maçã Judaico

Na preparação para a receita que teria que fazer para este livro lembrei-me de pesquisar e conhecer receitas tradicionais judaicas. O que descobri foram receitas… no mínimo complexas. Confesso que me senti intimidada e a pensar que, se calhar, nem tenho o nível de skill que é preciso para fazer aquelas receitas.

E então procurei por bolos tradicionais que fizessem sucesso cá em casa e encontrei esta delícia! Digo delícia já a spoilar o resultado final porque ele é, de facto, maravilhoso.

Receita de bolo de maça judaico

Ingredientes:

  • 6 maçãs (qualquer variedade, descascadas, sem caroço e picadas)
  • 1 colher de sopa de canela em pó
  • 2 3/4 chávenas de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal (a receita especifica kosher, mas eu não tinha, foi mesmo sal normal)
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 chávena de óleo vegetal
  • 1 chávena de açúcar granulado (optei por não usar)
  • 1 chávena de açúcar mascavado
  • 4 ovos grandes
  • 1/4 chávena de sumo de laranja
  • 1 colher de chá de extracto de baunilha
  • açúcar em pó (para polvilhar)

Receita encontrada e adaptada desta do Yummly.

Resultado? “O melhor bolo que já fizeste”, foi o que ouvi.

Mas para além de ser um bolo delicioso e tradicional, é também algo de que gosto de imaginar Anne a desfrutar com a família à volta da mesa num dos seus melhores dias antes do Anexo e antes mesmo da guerra. Quem sabe, até mesmo no Anexo, num dos poucos – mas preciosos – momentos de alegria.

O meu exemplar de O Diário de Anne Frank

Pela primeira vez no Páginas Salteadas, sinto que interessante falar-vos do meu exemplar.

Ele pertencia à minha tia-avó. Não consigo ver de quando é esta edição, mas é muito antiga. Já tem muitas marcas de uso, nem todas minhas e, há umas semanas, a minha gata vomitou-lhe em cima… Não se nota, mas foi…

Mas é assim que gosto dele, é por todas estas “cicatrizes” que tanto o estimo e o amo. Vou guardá-lo para sempre.

Espero que tenham gostado desta receita, da explicação e da minha pequenina homenagem à memória de Anne Frank.

Nas próximas semanas já vamos poder espreitar as receitas da Andreia, da Joana e da Vânia! Acompanham-me? 🙂

Joana Clara, Às Cavalitas do Vento
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog

4 Comments

  1. Margarida Pestana says:

    Já estive a ver o post.. nunca li o diário mas é daqueles que quero ler este ano. O post ajudou a ter um sneak peek do que poderá ser. Fiquei curiosa.

    Quanto a essa receita parece ser deliciosa e trazer conforto. Vou ter de a experimentar 🙈😘

    Beijinhos
    Maggy

  2. Andreia Moita says:

    Quando penso na receita que quero fazer para homenagear Anne Frank penso em conforto. Porque…sei lá…talvez seja aquilo que lhe dariamos se pudessemos, não é? É o que a tua receita me faz sentir. Mais uma vez, o Páginas Salteadas a começar da melhor maneira!

  3. Ines says:

    Ui quando vi as fotos deste bolo no Instagram senti água na boca, mas depois de ver aqui que é de maçã ui! O que me foste fazer!!!

    http://pt.witkonijn.net/

  4. Catarina Coelho says:

    Adorei esse livro… Dentro do quanto se pode adorar uma história tão triste, um período tão triste da história da Humanidade. Por momentos enquanto lia esse livro senti-me parte integrante do Anexo e esperei mesmo que a escrita pudesse aliviar a Anne dessa angústia constante que viver escondida lhe trouxe.
    Quanto ao bolinho, se foi “o melhor que já fizeste” então não há qualquer duvida que honrou devidamente estas vidas 🙂
    Um beijinho Catarina

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