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Roma é Amor ao contrário: primeiras impressões da capital italiana

Em Junho, para além de ter tido o prazer de ser apresentadas à capital checa, fui também visitar pela primeira vez a capital italiana. Roma e eu tínhamos que nos cruzar nesta encarnação e não há como negar que estávamos destinadas uma à outra. Assim que os meus pés tocaram no centro de Roma, o feitiço instalou-se, rápido, avassalador e definitivo.

Isto passou-se antes de eu descobrir que as minhas origens étnicas: 12.7% italiana + 3.7% grega e italiana do sul. Será que isto explica a ligação imediata que senti com Roma?

Sabem aquelas paixões à primeira vista, tão fortes como uma tempestade que tudo leva e arranca do chão, mesmo as raízes mais antigas e profundas? Qual partida dos Deuses! Roma levou o meu coração.

Roma e eu mantínhamos uma relação à distância há anos, com o meu fascínio pelo Império Romano e pela Cultura Romana ter começado quando eu era ainda uma criança. Quando andava no 6º ou 7º ano, encontrei um livro antigo que pertenceu à minha mãe quando ela andava na escola. Nesse livro, falava-se de Mitologia, mas concretamente da romana, grega e egípcia. Fiquei enamorada por esta área de estudo e, apesar de não estar a estudá-la ainda na minha escola, estudei aquele livro de fio a pavio, bem como outros que pedi aos meus pais. 

As histórias inacreditáveis dos deuses e dos heróis das célebres epopeias gregas e romanas enchiam-me o imaginário e foi nesse embalo e, que do 10º ou 12º ano, estudei Latim. Não me peçam para falar Latim (ninguém fala Latim, ok?), mas por vezes ainda faço um brilharete a ler estátuas e inscrições em monumentos. Nada mau!

Éramos uma turma de 6 ou 7 pessoas (como podem imaginar não há muita gente a interessar-se por Latim no séc. XXI), mas as aulas eram super interessantes e chegámos até a encenar uma peça em que éramos todos deuses romanos.

Na faculdade, tive uma cadeira chamada Cultura Clássica em que, aí sim, estudámos mais a fundo as grandes obras da literatura greco-romana. 

Voltando a Roma.

Tudo isto serve de pano de fundo para fazer a ligação entre esta viagem e um fascínio que sempre nutri por esta cultura. Nesse sentido, Roma cumpriu. Parece que cada canto e recanto desta cidade tem uma origem que facilmente traz com ela alguma História. Em cada esquina aparece subitamente uma nova igreja com que ainda não nos tínhamos cruzado e, para nosso espanto, é sempre um monumento espectacular e imponente. 

Os monumentos de Roma são incríveis, deslumbrantes e carregados de História e energias (como no caso do Coliseu) e, de certa forma, corresponderam exactamente às minhas expectativas, ainda que a sua grandeza se faça perceber de uma forma diferente ao vivo.

Aquilo que, para mim, foi uma grande surpresa foi o resto da cidade. 

Falo da vida diária, dos ritmos da cidade, das suas cores e dos detalhes que fazem dela um sítio incrivelmente deslumbrante. Por estas fotografias conseguem ver que Roma parece ter pedido aos deuses uma identidade visual pensada ao pormenor, especialmente no que diz respeito ao esquema de cores: bege, terracota, castanhos, verdes… uma harmonia cromática no meio do caos urbano e do trânsito de carros, motas e autocarros que emprestam a esta capital antiga o frenesim dos tempos modernos.

Cada rua apertada, cada praça, cada entrada de loja ou restaurante parece ter sido transformada numa cena de um filme de Felini. Até os animais parecem fazer parte deste complô que consiste em lançar o feitiço de Roma sobre turistas, que se apaixonam irremediável e instantaneamente por ela.

Estes romanos de hoje em dia – os Humans of Rome, como lhes chamarei num futuro post -, parecem ter estudado bem as proporções e ângulos fotográficos, não parecendo leigos à Rule of Thirds. Suspeito-o pela forma como aparecem nas minhas fotografias, tão bem posicionados e distribuídos por todas as paisagens. Tudo tem uma beleza e um sentido estético indescritível. 

Por outras palavras, dá gosto passear por Roma sem qualquer rumo. Enquanto o fazemos, dá a ideia de estarmos a cumprir algum itinerário mesmo sem visitarmos qualquer monumento. Porque a beleza de Roma é, em si mesma, uma visão que vale a pena viver e absorver livremente, sem regras nem roteiros, nem que seja em apenas um dia de viagem.

Por vezes, com a pressa de chegarmos do ponto A ao ponto B perdemos as cenas intermédias que uma cidade tem para nos mostrar. Se algum dia forem a Roma, não deixem que isso vos aconteça: reservem um dia para explorar a pé ruas, igrejas, lojas, restaurantes, miradouros, tudo o que encontrarem no vosso caminho.

Roma é Amor ao contrário por alguma razão.

Aqui, como na Fontana di Trevi, fica o meu desejo: regressar a Roma.

Mais posts sobre Roma se seguirão a este, incluindo um roteiro e o post dos Humans of Rome, como já fiz o Humans of Prague e o Humans of Bruges (and Ghent).

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